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Um dos primeiros exames a fazer na gravidez é a análise que revela o factor Rh, que serve para determinar se o sangue do bebé é compatível com o da mãe, fator primordial para garantir o bom desenvolvimento do feto.
Rh é a abreviatura do nome latino do Macacus Rhesus, um símio no qual se realizou uma experiência em 1948, que consistiu em introduzir-lhe sangue humano nas veias. O sistema imunitário do animal, incapaz de reconhecer a proteína presente nos glóbulos vermelhos humanos, reagiu com uma defesa contra o elemento desconhecido, e começou a destruir os glóbulos vermelhos do sangue estranho. Assim, as pessoas Rh+ (positivas) são as que possuem este tipo de proteína no sangue (cerca de 84% dos europeus). As pessoas Rh- (negativas) não possuem este elemento e, se os seus glóbulos vermelhos se misturarem com outros de Rh+, destroem-nos.
Entre as diferentes combinações, a mais perigosa é a mãe Rh- com pai e filho Rh+. Neste caso, se o sangue da mãe entrar em contacto com o do feto, desencadeia-se uma reação contra os glóbulos vermelhos do bebé, com a consequente formação de anticorpos, que permanecem no organismo materno para sempre. Para o feto isto traduz-se no empobrecimento do sangue, ou seja, anemia. Para a mãe, significa o risco de sofrer o mesmo inconveniente na gravidez seguinte, se o segundo filho também for Rh positivo, com a agravante de que no sangue da mãe circulam mais anticorpos, que “atacarão” o sangue do feto.
É certo que esta situação ocorre raramente hoje em dia, graças à prevenção efetuada junto das mulheres grávidas através do teste de Coombs, realizado no sangue materno, durante a ecografia, no exame que avalia o desenvolvimento correto do feto, e na fluxometria, que observa a devida irrigação do sangue na criança. O problema poderá subsistir nas grávidas que chegam ao parto sem conhecer o seu Rh.
Uma vez comprovada a incompatibilidade dos dois tipos de sangue, devem tomar-se algumas medidas preventivas:
• Injetar imunoglobulinas no sangue materno. Trata-se de substâncias capazes de bloquear a produção de anticorpos. Isto evita qualquer tipo de risco para uma possível nova gravidez, caso o feto tenha novamente um fator Rh+.
• Reduzir ao mínimo os riscos de determinados exames na gravidez. Os seguintes exames, que podem ser feitos ao longo da gravidez, devem ser realizados com a máxima cautela: a amniocentese (extração de líquido amniótico), a funiculocentese (extração de sangue fetal do cordão umbilical) e a biópsia de vilo corial (extração de uma amostra das vilosidades do cório, pequenos tentáculos que o óvulo fecundado desenvolve a fim de se fixar na parede uterina)
(Também lhe interessa: Amniocentese: a solução para as suas dúvidas)
As mães com fator Rh negativo que se submeteram a um dos exames mencionados devem receber uma injeção de imunoglobulina imediatamente após, como medida de rotina. A injeção de imunoglobulina também deve ser administrada quando houver uma ameaça significativa de aborto, com rotura e desprendimento das membranas, e no caso de aborto e incerteza acerca do grupo sanguíneo do pai. De qualquer modo, o parto natural é mais adequado para os casos de problemas de incompatibilidade do Rh, visto que, neste caso, se produz uma menor transfusão de sangue, quando comparado com uma cesariana.
Ainda que muito raro, pode acontecer que os agentes do sangue materno se mobilizem, gerando uma reação no feto, que é induzido a produzir novos glóbulos vermelhos e a debilitar o seu próprio sistema imunitário. Este mecanismo provoca anemia no bebé, inicialmente grave, e que, depois, se transforma em doença crónica.
Nos casos de anemia é possível:
• Fazer transfusões ao feto no útero
• Induzir o parto umas semanas antes do fim da gestação
• Administrar ao feto concentrados de glóbulos vermelhos, para que recupere os que perdeu
• Injetar antigénios, substâncias que ativam a produção de anticorpos. Embora seja uma técnica ainda pouco explorada, os antigénios confundem a substância materna encarregada de destruir os glóbulos vermelhos do filho.